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Da Igreja Ortodoxa Sérvia
a seus filhos espirituais na ocasião da Páscoa, 2006
Pela Graça de Deus, Arcebispo Ortodoxo de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovic e Patriarca Sérvio, com os Hierarcas da Igreja Ortodoxa Sérvia – a todo clero, monásticos e a todos os filhos e filhas de Nossa Santa Igreja: graça, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, com rejubilantes saudações pascais: CRISTO RESSUSCITOU! “Que
os Céus se regozijem, A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo dos mortos é o principal evento na história da salvação da humanidade. Com Sua ressurreição do túmulo, o Salvador proclamou a vitória sobre a morte – o último inimigo de todos os povos. O Senhor, Amante da humanidade, Que, por amor a nós, aceitou a crucificação e a morte, fez-nos participantes de Sua vitória sobre a morte. A natureza humana em Cristo, Deus-Homem, acolheu a morte, mas essa mesma natureza ressuscitou e trouxe a vitória sobre aquela. Essa vitória, que o Senhor realizou no corpo, proporcionou a todos os povos a liberdade em relação à morte; liberdade na qual nos alegramos, até mesmo aqui e agora, através da Ressurreição de Nosso Salvador. O Senhor Jesus Cristo submeteu-Se à morte em Seu corpo, para que, com a vitória sobre ela e sobre o aniquilamento resultante da corruptibilidade, o poder da ressurreição pudesse ser conferido à raça humana. Pelo primeiro homem, nosso ancestral Adão, e devido ao pecado e à Queda, nós herdamos a condenação e a morte. Entretanto, no Novo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, nós temos por herança a ressurreição. Deste modo, comungamos da Sua Glória e participamos de Seu Reino Eterno. Porque o Salvador foi verdadeiramente glorificado pela Crucificação e Ressurreição, e testificamos abertamente que, na Cruz, em Sua natureza humana, Ele realmente sofreu e morreu, sendo Sua obra redentora coroada com a glória digna de Deus. Logo, por que Deus permitiu, como legado de Adão, a morte, para que ela ainda exista no mundo? Pessoas ainda morrem, mas não à mesma maneira dos condenados, não para a eternidade, mas por um tempo determinado, para que elas possam receber uma ressurreição mais gloriosa. O Cristo Deus-Homem é o Primogênito dos mortos, e todas as pessoas seguem-No como o Primogênito, porque, pela Sua ressurreição, Ele vivificou a todos que pertencem à natureza humana. Sobre isso, o Próprio Senhor testifica: “Vem a hora, e já chegou, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e aqueles que a ouvirem viverão; aqueles que fizeram o bem para a ressurreição da vida, os que praticaram o mal, para uma ressurreição de condenação” (João 5: 25, 29) O evento da Ressurreição porta tamanha importância para o universo inteiro, que nós já chamamos este mesmo universo de nova criação. Esse evento resultou na transformação em todos os mundos, pois, a partir da Ressurreição, inicia-se a renovação de todas as coisas. Com a Ressurreição, a Terra e os Céus são renovados, e a Palavra do Senhor é cumprida: “Vede, Eu faço novas todas as coisas.” (Ap. 21: 5). Tem a Ressurreição um significado especial para a vida espiritual dos Cristãos, já que todos que crêem em Cristo erguem-se com Ele em uma nova vida e ofertam a Deus seu ser físico e espiritual, por terem sido trazidos da morte para a vida (Rom. 6: 13). Logo, nós elevamos, hoje, nossos pensamentos acima das preocupações terrenas, como afirma o Santo Apóstolo Paulo: “Portanto, se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não das que são na terra.” (Col. 3: 1-2). Tudo que Cristo disse e realizou para o cumprimento de nossa salvação recebe seu pleno significado na Ressurreição, porém mais especificadamente o sofrimento e a morte. Pela Ressurreição, a Cruz de madeira da Crucificação tornou-se o símbolo da vitória e da glória, e as feridas mortais de Nosso Senhor vieram a ser fontes de cura pelas quais adquirimos a vida eterna, o conhecimento de Deus e o amor para com a humanidade por parte de Nosso Senhor Ressurreto. Eis porque todos os esforços dos fiéis, agradáveis a Deus, mais especificadamente o santo serviço a Deus pela salvação de nossos amados e todas as expressões de piedade evangélica, encontram sua importância na Ressurreição de Nosso Senhor. A Ressurreição de Cristo era chamada de Páscoa já nos dias antigos. A Páscoa do Antigo Testamento, o principal Dia Festivo do povo escolhido de Deus, aponta para a Páscoa do Novo Testamento, nova e eterna, tanto no nome como na essência. Pascha significa passar [“passagem”], e a Igreja, na Pascha, glorifica a Cristo, por cuja Ressurreição passamos da morte para a vida, da terra para os Céus. A Páscoa do Antigo Testamento celebrava a liberdade temporal da morte de uma pequena nação sob a liderança do Profeta Moisés, ao passo que a Páscoa do Novo Testamento oferece a libertação eterna a todos os crentes, por todas as gerações. De acordo com a Lei de Moisés, a refeição pascal era preparada com um cordeiro. A Páscoa de Cristo significa que o Cordeiro de Deus sacrificou-Se voluntariamente e ofereceu a Si Mesmo como alimento aos fiéis. Eis a razão pela qual São Paulo, o Apóstolo, aconselhando-nos a aproximarmos com confiança à mesa do banquete pascal e ao “trono da graça” (Hb. 4:16), nos diz: “Pois, de fato, Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós.” (1 Cor. 5:7). No Novo Testamento, a celebração pascal da Cruz e da Ressurreição é mantida no Mistério do Corpo e do Sangue do Senhor, que edifica a comunidade divino-humana e a unidade dos fiéis: “Não é o cálice de benção que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor. 10: 16-17). A Ressurreição de Cristo é a Festa das Festas, pois ela expressa mais profundamente a vida da Igreja. Não apenas hoje, mas cada Domingo do ano, como dia de ressurreição, reúne os fiéis da Igreja, na comunidade do Banquete do Senhor. Amados filhos, nós experimentamos a Ressurreição de Cristo como a manifestação da luz eterna que ilumina não apenas as almas das pessoas, mas toda a criação. “Hoje, tudo se preenche de luz, os céus, a terra e as profundezas”, assim cantamos no hino ressurrecional. A primeira semana após a Ressurreição é permeada de luz, daí nós a chamarmos de Semana Luminosa: ela está completamente repleta da glória da Ressurreição, sendo, portanto, celebrada como se fosse um único dia. Tal luz eterna é transmitida, pelo corpo vivo da Igreja, à vida de todos nós, aos nossos pensamentos e obras, para que nós vivamos com uma nova vida. Nesta radiante Festividade, de todo coração oferecemos nossas ações de graça ao Senhor, Que, nestes tempos tempestuosos, revelou-Se como o Caminho, a Verdade e a Vida para nossas gerações mais jovens. Regozijamo-nos de maneira especial em ver que nossos jovens, através do corpo glorificado de Cristo e de Sua Igreja, terem encontrado imensa alegria e a essência imperecível de uma nova e eterna vida. Ao mesmo tempo, estamos profundamente conscientes do doloroso fato do mundo moderno de que os jovens, em grande número, estão tornando-se vítimas de narcóticos, de falsos salvadores e de falsos ensinamentos nocivos às suas almas. Este tipo de vida priva-os da feliz juventude e da alegria da vida. Pior de tudo é a continuação na matança de crianças (aborto), assim como ataques insanos à santidade da vida familiar e da comunidade. A aflitiva crise espiritual e moral e a decadência vital de quase todas as Nações cristãs – e, dentre elas, infelizmente, nosso próprio povo sérvio – não somente são conseqüências da insegurança econômica e da desordem social, mas enraízam-se, acima de tudo, na separação ao amor de Deus e à Igreja, pela qual a graça do Espírito Santo estabelece e é exemplo da comunhão eterna entre os povos. Em verdade, compartilhando de todas as tentações e sofrimentos com nosso povo nestes luminosos dias pascais, nós transmitimos a todos vocês a saudação angelical, vinda do túmulo do Cristo Ressuscitado: “Regozijem-se!” Com a luz de Sua Ressurreição, o Senhor ilumina até mesmo aqueles que perambulam na escuridão das trevas espirituais. Ele concede vida e alegria a todos os entristecidos, a todos os excluídos e a todos os pecadores, através do arrependimento, da fé, da esperança e do amor – através do retorno regozijante ao maternal abraço da Igreja. Nestes dias da Cruz e da Ressurreição, nós sofremos profundamente com nossos irmãos e irmãs em Kosovo e Metohia. Há séculos, mais especialmente nos últimos anos, eles têm passado e continuam a passar por espinhosos sofrimentos e crucificações diárias, aguardando, desiludidos, decisões políticas pelas quais dependerá o futuro deles e de seus filhos. A eles, no espírito do Evangelho, enviamos a mensagem de que, após a crucificação, vem a Ressurreição e de que não há nenhuma alegria de nova vida sem o túmulo de onde alvorece a vida em Jesus Cristo. Pedimos a eles a serem fiéis à tradição do Santo Czar Lázaro e se manterem em suas terras, independentemente das ameaças daqueles encegueirados pelo ódio. Kosovo e Metohia é a terra do juramento pelo qual o povo sérvio sujeitou-se a Cristo e adentraram na comunidade sacerdotal do Povo de Deus. Oramos a Deus por um solícito derramamento de Sua paz à sofredora Kosovo e Metohia, através da compreensão mútua entre as comunidades sérvias e albanesas, efetuando declarações conjuntas que assegurem a vida, a paz, a liberdade e a dignidade a todos os povos. Expressamos nossa alegria e graças ao Senhor Ressuscitado pela libertação de Sua Beatitude Arcebispo de Ochrid e Metropolita de Skoplje Jovan daquela lúgubre cela de prisão. Mais especialmente, regozijamo-nos por ele ter aceitado voluntariamente esta humilhação à Cristo e corajosamente tê-la suportado, sacrificando a si mesmo a fim de ajudar a superar um horrendo cisma entre irmãos de fé. Com esperança e paciência, conclamamos nossos irmãos cismáticos a pôr a unidade da Igreja acima de todas as metas terrenas. Esperamos que eles se libertarão do calabouço cismático par a luz da unidade sacramental e eucarística da Igreja no Cristo Ressuscitado, o Vitorioso sobre a morte e sobre todas as divisões. Com paternal amor, conclamamos nossos irmãos e irmãs Ortodoxos em Montenegro e a todas as pessoas de boa-vontade a preservarem a paz mútua e a unidade, tanto antes como após o futuro referendo. Ao mesmo tempo, lembramos que a Fé Ortodoxa salvaguarda e promove a liberdade a cada pessoa, assim como promove a unidade entre os povos e nações. A liberdade e o bem humano e fraternal não podem ser estabelecidos em nenhum lugar (especialmente em Montenegro de Njegos), pela pressão sobre a consciência das pessoas, chantagens e ameaças; mas pela livre-expressão da vontade e pela total responsabilidade pelo amanhã de seus descendentes. Amados filhos espirituais na Diáspora, a alegria desta Festa nos torna mais unidos a vocês, independentemente das distâncias geográficas. Sempre regozijem-se em sua Santa Igreja, porque Ela une vocês firmemente à pátria celestial e àquela terrena jamais substituível. Sejam bons cidadãos das Nações em vocês vivem e membros ativos e fiéis de sua Igreja. Não deixem de cultivar sua língua sérvia! Essa é a língua de seus ancestrais e a língua da cultura e da espiritualidade sérvias, mas, acima de tudo, a língua de vosso Culto Litúrgico. Testemunhando na alegria da Santa Fé Ortodoxa de que “nada nos pode separar do amor de Deus” (Rom. 8: 39), que eternamente renova nossa imperecível comunhão, nós congratulamos a vocês, amados filhos espirituais, nesta Festa das Festas, com a mais sublime e mais jubilosa saudação: Cristo
Ressuscitou! Concedida
no Patriarcado Sérvio em Belgrado na ocasião da Páscoa
2006. Arcebispo
de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovic e Patriarca Sérvio
PAVLE, Arquidiocese
Ortodoxa de Ochrid:
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